Monsieur Maurice Plas, a lenda

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Maurice e Robert seguram retrato do pai, o alfaiate e chapeleiro Maurice Plas, falecido em julho do ano passado.

Maurice e Robert seguram retrato do pai, o alfaiate e chapeleiro Maurice Plas, falecido em julho do ano passado.

Maurice e Robert seguram retrato do pai, o alfaiate e chapeleiro Maurice Plas, falecido em julho do ano passado.

Maurice e Robert seguram retrato do pai, o alfaiate e chapeleiro Maurice Plas, falecido em julho do ano passado.

O espaço que é símbolo da vida noturna e descolada da cidade de São Paulo, a rua Augusta, serve de cenário também para a lendária alfaiataria e chapelaria Plas. A pequena e charmosa loja funciona há mais de 60 anos no local.

Fundada pelo francês Maurice Plas (1930-2015), a loja virou ícone de bom gosto, vendendo ternos, bonés, gravatas, chapéus e boinas com sua marca registrada Quem recebeu o blog  A Torre no local foi Maurice, 49 anos, e Robert, 51 anos, filhos do fundador.

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Camisas multicoloridas convivem com as tradicionais boinas criados pelo artista.

O alfaiate faleceu em julho do ano passado, mas sua presença pode ser sentida em cada canto da loja criada na década de 50: o relógio antigo na parede – na sua família desde 1880, objetos de alfaiataria, quadros, pinturas e retratos. Um rico passado que se conjuga com o presente e com o futuro.

“Eu, que fiquei conhecido como um dos melhores alfaiates de São Paulo, passei a dedicar boa parte do meu tempo à estilização de vários modelos de boinas. Daí pra frente, meu trabalho foi destaque de inúmeros editoriais de moda”, disse certa vez Plas.

O senhor elegante, que costumava caminhar pelas imediações de sua loja diariamente para conversar com seus vizinhos comerciantes, acompanhou como poucos as transformações impostas ao chamado “Baixo Augusta”, hoje tomada por boates, novos prédios, hamburguerias gourmet, sebos e lojas de vinil. Mas ele não perdeu sua essência, mantendo um cenário que se afastava naturalmente das modernidades do comércio varejista.

Sua loja virou ponto de referencia para famosos, como Tarcísio Meira, Nando Reis, Rodrigo Lombardi, Ed Motta, Cauby Peixoto, Kylie Minogue. Na década de 90, uma ainda quase desconhecida modelo Gisele Bündchen faria um ensaio fotográfico na porta alfaiataria para uma importante revista de moda no Brasil, a Vogue.

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Monsieur Maurice Plas: arte de fazer peças únicas para gerações de paulistanos

Ele chegou ao Brasil em 1951, quando passou trabalhar com confecção no centro da cidade de São Paulo. Fugiu dos horrores da Segunda Grande Guerra Mundial, que devastou a Europa de uma ponta a outra.

Abriu a Plas focando na moda feminina para as mulheres que levavam os maridos para trabalhar na ainda glamurosa região da rua Augusta. Só depois focou seu trabalho na moda masculina. Trabalhou para boa parte da elite paulista fazendo ternos com tecidos vindos diretamente do exterior.

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Ambiente da loja relembra os anos 50, quando o emigrante francês chegou a ao Brasil, vindo de uma Europa arrasada pela guerra.

Trabalhou com produtos variados, como feltro, lã, panamá, brim, microfibra e linho. Na intimidade, gostava de ser chamado de Monsieur Maurice Plas.

Futuro

O filho Maurice explica que a Plas procurou se renovar para sobreviver, buscando uma nova geração de clientes. “Hoje o público é mais diversificado. Muitos jovens, artistas e pessoas ‘decoladas’ buscam um acessório de moda para se destacar. Buscamos ampliar o leque de produtos para atingir um número maior de consumidores”. Na vitrine da loja, camisas multicoloridas dão o tom dessa busca por novos horizontes.

“Meu pai tinha muito bom humor. Era também muito enérgico nas suas atitudes e pensamentos. Via com naturalidade as mudanças do mundo. Costumava dizer: ‘C`est la vie..”, diz Maurice a cerca das lembranças que guarda do fundador.

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Chapéus dos mais variados modelos se espalham pela loja da rua Augusta, em São Paulo.

Para o empresário, é difícil definir o que seja elegância. “É um dilema: O traje acrescenta algo à pessoa, ou é a personalidade que enriquece o traje? Poderíamos falar por horas a fio sobre esse tema”. Sobre o legado deixado pelo pai, ele diz que Plas foi alguém que durante décadas atuou na alfaiataria e na alta costura, sendo alguém que contribuiu para o cenário da moda no Brasil.

“O segredo é trabalhar com amor e entre a família. Enquanto um empregado normal quer trabalhar apenas 8 horas por dia, eu já cheguei a trabalhar das 7 da manhã até a meia-noite por anos seguidos. Já atendi todo tipo de gente, de políticos até artistas. E nunca neguei um único trabalho e sempre os realizei muito bem”, argumentou em uma entrevista certa ocasião Monsieur Maurice Plas.

Maurice Plas produziu um prêt-à-porter ideal para aquelas pessoas que têm pressa e não querem ser confundidas na multidão. O que não é uma missão fácil nos dias que correm. A reportagem deixou a loja com a esperança de alguém que quer retornar algum dia para conferir novamente o universo de um artista que tinha personalidade de sobra.

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Sobre marcobissoli

Jornalista, profesor de Literatura e blogueiro
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